Um Brasil ainda pouco explorado em Porto Velho

O querido Bernardo Mattos, que já deixou suas impressões sobre a África do Sul por aqui, veio nos presentear com o seu ótimo e curioso relato sobre Porto Velho, uma capital em ascensão, mas pouco falada e visitada. Então ele fez a gentileza de contar escrever pra gente o que tem por essas terras!

Vim zicar aqui no Ziga outra vez para escrever um pouco sobre Porto Velho, a capital do estado brasileiro de Rondônia. Aliás, vale destacar que Porto Velho é a maior capital do Brasil em extensão territorial. Para se ter uma ideia, a cidade se estende por toda a fronteira do estado com o Acre, e parte da Bolívia ao sul.

Algumas considerações iniciais. Para quem deseja fazer um passeio de mais dias com programação variada, infelizmente a capital rondoniense ainda não será uma boa opção. Mas para quem deseja experimentar por um fim de semana (e talvez mais um ou dois dias) um lugar diferente, com considerável participação econômica e histórica no país, certamente valerá a visita. Então vamos às curiosidades…

Porto Velho é uma cidade relativamente nova, tendo sido fundada em 1914, com a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). A cidade já pertenceu ao estado do Amazonas e transformou-se em capital de Rondônia no ano de 1943. Para quem não se liga muito em história, mas gosta de televisão, deve se lembrar da minissérie global Mad Maria, gravada quase que totalmente na região. Na região central e mais comercial, a cidade possui ruas largas e bastante planas.

 

 

A famosa ferrovia começou a ser construída em 1903, a partir de um acordo feito entre Brasil e Bolívia (o Tratado de Petrópolis) que conferiu posse ao Brasil do estado do Acre. Em contrapartida, o país se comprometeu a construir uma estrada de ferro que possibilitasse o escoamento da borracha boliviana e brasileira, além de outros produtos, claro. O fato é que a Bolívia precisava urgentemente de uma conexão com o Oceano Atlântico, e a gente precisava definir bem as fronteiras amazônicas. Daí surgiu o acordo.

O nome da ferrovia se deve mesmo à conexão dos rios Mamoré e Madeira. Só a título de curiosidade também, a construção concentrou na época quase 50 nacionalidades diferentes na região, vindo gente, sobretudo, das ilhas britânicas, do Caribe e dos EUA para cá. E os americanos foram mesmo os “cabeças” da obra, que representava a primeira grande obra de engenharia civil estadunidense fora dos EUA.

A importância histórica dessa obra é enorme. Além de garantir para o Brasil a posse da fronteira com a Bolívia, a EFMM permitiu a colonização de vastas extensões do território amazônico. Depois de operar por 54 anos, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi desativada na ditadura militar. A ferrovia deveria ser, porém, substituída por uma rodovia, para não descumprir o acordo celebrado em Petrópolis. Em 1972, as máquinas apitaram pela última vez. A partir daí, o abandono foi total. Em 1981, a EFMM voltou a operar num trecho de 7 km (o original tinha 366 km) para fins turísticos. Mas em 2000 ela voltou a ser paralisada. Uma grandíssima pena. Há atualmente um projeto na cidade de revitalização que deverá reativar o trecho turístico até 2014. Vamos torcer.

Hoje, a prefeitura mantém um complexo da antiga estrada, com um de seus galpões originais servindo de museu ferroviário, com peças, mobiliários e fotografias da época. O entorno do local também possui locomotivas, como a máquina 18, desativada em 1982. Quem quiser mais informações sobre o museu e o complexo de forma geral, pode entrar em contato com a secretaria de turismo de lá (69-3216-5934)

Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré:

 

 

Com aproximadamente 450.000 habitantes, a capital rondoniense é uma das que crescem mais rapidamente no país, chegando a surpreendentes 30% no ano de 2009. Esse crescimento se deve principalmente à grande imigração para a região, influenciada, sobretudo, por projetos de grandes hidrelétricas.

Como nem só de EFMM vive Porto Velho, voltarei em breve então para falar um pouco mais sobre esses projetos e as demais atrações da cidade que descobri por lá.

Estamos esperando!!!

FOTOS: Bernardo Mattos

 

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Author: Natália Gastão

Fluminhoca (fluminense + carioca) experimentando a vida mineira em Belo Horizonte, fisioterapeuta, acupunturista e viajante. Apaixonada pelo Rio e por viajar, sofre de tensão pré e depressão pós viagem, não pode ver uma promoção de passagem aérea e quer ir para tudo quanto é canto.

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3 Comments

  1. Gosto muito das histórias que cercam a madeira-mamoré. Recebi convites para conhecer a região, mas por uma razão ou outra nunca fui. Ainda pretendo conhecer um pouco desse pedaço do Brasil, tão distante para nós aqui do sul… Nossa história é sem dúvida marcada por uma série infinita e incansável de abandonos, enquanto que outros países, muitas vezes com menos, usufruem mais de sua história, atraem turistas, etc. Torço para que sejam retomadas as viagens na madeira-mamoré, nem que seja em pequeno trecho turístico. Parabéns. Abraços,
    Paula
    http://www.mochilinhagaucha.blogspot.com.br
    ….

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  2. Morei no estado de Rondônia por 6 anos e posso garantir que o Estado tem atrações maravilhosas. É possivel conhecer o Forte Principe da Beira que defendeu nossa fronteira e que contem uma maravilhosa paisagem, Alem dos passeios de barco pelo madeira, tb se pode desfrutar de pequenas incursões pélos igarapés e muito mais

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    • Que legal Sonia!
      Não sabia dessa sua história com Rondônia.
      Obrigada pelas dicas e pela visita!
      Beijão!

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