Subindo o Vulcão Villarrica

Subir o Vulcão Villarrica estava nos meus planos desde que programei minha ida a Pucón. Não tinha muita idéia do nível de dificuldade que enfrentaria, muito menos que seria pesado, então vou assumir logo que encarei o desafio na total ignorância, mas acho que meu anjo da guarda é aventureiro e curte montanha, então não me deixou na mão!

Pucón

De manhã cedo (6hs) nos encontramos com o grupo e os guias (Felipe e Diego) na agência, nosso equipamento previamente provado, já estava separado, cada pessoa recebeu um par de botas, casaco e calça impermeáveis, além de uma mochila com luvas, picareta e outros acessórios para uso no caminho. Levamos sanduíches, água, óculos de sol e protetor solar, que são ítens imprescindíveis. Só esquecemos (demos mole mesmo!) de levar uma fruta.

Da agência seguimos até o Parque Nacional Villarrica e chegamos a base do vulcão, onde pegaríamos o teleférico para nos levar até 1.882 m de altitude, mas como estava ventando o teleférico não funcionou e assim às 7:50hs da matina, começamos precocemente o nosso trekking. O trecho do teleférico (400m) era em solo vulcânico e levou cerca de 1h-1:30hs.

Pucón
Pucón
E já nesse trecho a bota do Zuco começou a incomodar e fazer grandes bolhas no pé dele. Mas ele fez uma gambiarra com esparadrapo e guardanapo, que aliviou o problema, pois daquele jeito, ele não iria muito longe.

A base do teleférico, foi a nossa primeira parada, comemos um sanduíche, bebemos água e descansamos antes de seguir adiante.

Pucón

Antes de seguir para o trecho da neve, nossos guias nos deram uma breve (breve demais, na minha opinião) demonstração de como usar a piolet (picareta) no caso de queda. O problema é que eles mostravam, mas ninguém testou para ver se sabia fazer de verdade, o que na minha opinião dá quase que no mesmo de não mostrar, mas enfim…

Pucón
Seguindo da base do teleférico começamos o trecho da neve, o que para mim foi um suplício, porque além do cansaço de caminhar na neve, eu estava com muito medo de escorregar, pois o caminho é muito íngreme e além de achar que poderia deslizar muito e me machucar, ainda teria que subir tudo de novo! Resultado: Escorreguei e caí duas vezes! Na primeira o Zuco me segurou pela mochila e em seguida o guia me deu apoio e na segunda o mesmo. O ruim de escorregar e cair é a insegurança de cair de novo. Mas não adianta!! Se você quer chegar na cratera, tem que respirar, encarar e confiar no seu guia, nas duas vezes ele foi super rápido e tranquilo.Tranquilidade é a palavra!

Em tempo, as pessoas que fazem trekking na neve ganharam o dobro do meu respeito nesse dia! 🙂

Pucón

Os grupos começam juntos, mas aos poucos uns seguem na frente e outros ficam para trás, mas todo grupo tem um guia. Nós seguimos na frente dentro do nosso grupo, mas tinham vários grupos por lá. De uma maneira geral nosso nível foi moderado, nem muito devagar, nem muito rápido!

Pucón

A tensão aumentou quando pouco mais do meio do caminho nossa água acabou (cada um é responsável pela sua água e comida), levamos duas garrafas de 1,5l de água, conforme o recomendado, mas não economizamos no início, durante o trajeto do teleférico, e acabou! Por sorte, os dois casais que estavam no nosso grupo tinha água “sobrando“ e diviram conosco!

Tivemos sorte de pegar um dia lindíssimo, sem nenhuma nuvem no céu, contrário a muitos relatos que li e ouvi, então o visual amenizava um pouco o cansaço…

Pucón

Pucón
No final a energia vai chegando ao fim, além de doer tudo! Ainda bem que não me senti ofegante, meu maior problema realmente foi a falta de habilidade em caminhar na neve associada ao medo de cair. Já o Zuco estava exausto, com muita sede e sem aguentar os pés, o trecho final foi muito mais difícil para ele, aliás não sei se eu conseguiria chegar tão longe com tantas bolhas nos pés, ele foi guerreiro! 🙂

Volto a dizer, a falta de água faz toda a diferença nesse momento! Me safei comendo neve, apesar de saber que não é nada recomendado, mas a sede estava absurda, tanto que nem consegui comer nada quando cheguei a cratera. E após 1500m de altitude e 6hs de subida, finalmente chegamos ao topo, ou melhor, na cratera (2.847m)! O visual é muito mais lindo do que já estávamos vendo do caminho, e então tive a certeza de que o sofrimento valeu a pena!!!

Pucón
Pucón
De lá de cima avistamos Pucón, o glaciar que fica ao lado do vulcão, mais um pouco da Cordilheira dos Andes, dois vulcões de um lado e dois do outro, o Cerro Tronador (que eu nem havia conseguido ver em Bariloche) e até as cinzas do vulcão Puyehue.

Pucón

Pucón

Além da própria cratera que é enorme e ainda solta umas boas baforadas de enxofre. Nunca me imaginei chegando na cratera de um vulcão em atividade, sentir o calor do vulcão junto com a bordinha de neve e gelo é uma contradição incrível. Sem contar o delicioso sentimento de superação e vitória!!!

Pucón

A hora de descer, foi a melhor parte do caminho! Colocamos todo o equipamento impermeável e fomos fazendo skibunda (não cheguei a fotografar), muito maneiro!!! Em alguns trechos pegávamos muita velocidade, mas aí sim o guia nos ensinou a usar a piolet (picareta) direitinho para freiar um pouco. Tudo foi feito com muita tranquilidade e os guias passaram todas as dicas para uma descida com segurança.

Pucón

Todo o trekking levou 8 horas, retornando a van, os três brazucas que voltaram no caminho estavam nos esperando, mais importante do que isso, muita água mineral também!

Agência: Patagônia Experience

Valor: 40.000 Pesos Chilenos = USD 78*

Teleférico: 6.000 Pesos Chilenos = USD 11 (pagos à parte e na hora, levar em dinheiro)*

*Procurei o valor atualizado do tour e não encontrei, mas acredito que o valor médio seja em torno de 80 dólares.

 

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Author: Natália Gastão

Fluminhoca (fluminense + carioca) experimentando a vida mineira em Belo Horizonte, fisioterapeuta, acupunturista e viajante. Apaixonada pelo Rio e por viajar, sofre de tensão pré e depressão pós viagem, não pode ver uma promoção de passagem aérea e quer ir para tudo quanto é canto.

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21 Comments

  1. maravilha !!!! show ! quanta coragem

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  2. Fantástico! Amei as fotos! Eu, com certeza, seria um desses q voltaria no meio do caminho, pois não tenho resistência nenhuma! Imagino a sensação de vitória por terem alcançado o topo e ter como recompensa esse visual maravilhoso!

    Bjs,
    Eliane

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    • A subida realmente foi pesada, mas quem sabe você não começa com uns desafios menores? A sensação de vitória será a mesma! =)
      Obrigadinha pela visita Eliane!

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  3. Pô, eu aqui já há um tempão sem viajar e você me aparece com um post aluciante desses? uhauhauhauhau lindíssimas fotos, faltou a marca d’água nas panorâmicas! Esse problema de água, bolhas e tudo mais pode estragar qualquer viagem, mas que bom que a de vocês acabou dando tudo certo!
    Abração e uma ótima semana! Michel @rodandoomundo
    http://www.rodandopelomundo.com

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    • Quando o Tales parou por causa das bolhas logo no início, pensei que não conseguiríamos… Eram grandes bolhas e não havíamos percorrido nem 10% da distância. Mas ele deu o jeito dele e fomos adiante! O resultado compensou muto! =)
      Vou colocar a marca d’água nas fotos! Valeu pela visita Michel!

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  4. Magnífico! Isto infelizmente já não tenho mais idade, joelho e coração para encarar. Fico aqui babando…

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    • Olha depois que eu vi uma senhorinha inteirona na subida, eu não levo mais idade em conta! hehehe
      Obrigada pela visita Flora! =)

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  5. Caraca Tatá, que demais! Muito show!

    Qdo fui para Pucon (no inverno) não pudemos subir pq tinha mta neve, mas ainda quero voltar pra lá e fazer esse trekking.

    Muito bom Tatá!

    um bjo,
    Jonathan Padua

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  6. Natália,
    Amei! Muito legal essa subida ao vulcão, nem preciso dizer que quero né!
    Deu pra passar bem tudo que vcs tiveram que enfrentar e adorei as fitos 😉
    Bjos

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    • Oi Tatiana!
      Estivemos lá em janeiro desse ano, o tempo estava ótimo e nem chegamos a precisar dos grampones, mas ainda assim é super escorregadio.
      Beijos!

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  7. De ++++++++++++++ lindíssimas fotos que vontade de ir aí também,mas não sou resistente a tanto frio..,parabéns!!!!!

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    • Pode ir Silva!
      O clima estava ótimo, quente na cidade e apenas lá em cima sentimos um friozinho, mas o casaco foi suficiente. Se você olhar as fotos, vai notar que tem gente de bermuda e camisa de manga. Ah! Nós fomos em janeiro!
      Beijão!

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  8. Olá! Gostaria de deixar uma dica para os leitores. Aluguei um carro em março de 2014 no aeroporto de TEMUCO para viajar até PUCON com a locadora AVIS. O carro oferecido estava com defeito onde não ligava o GPS, além de pneus velhos. Na vistoria nos cobraram pneus novos além de outras cobranças indevidas! Os funcionários são muito despreparados e grosseiros. Cuidado com a AVIS no Chile!

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